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    A pesquisadora sênior da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, Maria do Carmo Leal, esteve na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (2), para debater sobre o parto humanizado.

    Solicitado pela deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA), o debate, que ocorreu em formato de audiência pública, buscou discutir sobre a gravidez, o parto e o puerpério enquanto alvo de políticas públicas no país. Segundo a deputada, um dos maiores desafios a redução da cesariana, que representa 57% dos nascimentos no país.

    “Por ser a dor no parto vaginal o principal motivo alegado pelas mulheres para solicitação de cesariana, a oferta da analgesia peridural no trabalho de parto e parto se apresenta como uma importante estratégia para aumentar o conforto materno, reduzir a dor e, por conseguinte, colaborar na redução de cesariana”, argumenta a deputada.

    Ao falar com o Poder Delas, a pesquisadora do Fiocruz disse que o debate foi produtivo e que sempre é bom lembrar que o parto humanizado é um direito da mulher de ter assistência da mais alta qualidade. Maria do Carmo Leal diz ainda que o momento é oportuno para levantar a discussão, uma vez que, segundo ela, as mulheres no Brasil estão tendo cada vez menos filhos.

    “Isso permite que a qualidade do atendimento esteja cada vez maior, e abordamos o aspecto do aumento da cesariana no Brasil que tem sido um problema que a gente não tem conseguido resolver”, explica.

    A pesquisadora da Fiocruz lembra que as alternativas para a mulher que não quer optar pela cesárea, pode escolher a analgesia peridural, que nada mais é do uma técnica de anestesia regional que bloqueia a sensação de dor ao injetar anestésicos locais no espaço peridural, localizado próximo à medula espinhal.   

    “Umas das estratégias seria exatamente a gente ofertar a analgesia peridural durante o parto para reduzir a cesariana, além de tudo que vem se fazendo no SUS, que é ofertar as boas práticas, tratar a mulher com dignidade, oferecer métodos não farmacológicos para alívio da dor, e ter a presença da enfermeira obstétrica ou obstetrizes dura a atenção ao parto vaginal porque se mostra na literatura de todo o mundo a melhor opção para ter um bom resultado”, afirma a pesquisadora.

    Para Maria do Carmo, a cesárea se torna um problema tanto para a mãe quanto para o recém-nascido porque traz consequências para saúde de ambos, durante o parto, porque é maior a perda sanguínea, por ser uma cirurgia.

    “Uma mulher que faz uma cesariana sem nenhum problema de saúde de ter três vezes mais chances de morrer em relação à outra que não fez a cesariana. Aumenta o risco de morbidade materna grave e aumenta também o risco do bebe ir para a UTI, do bebe ter problemas respiratórios”, explica. “Exatamente porque o bebe não estava naquele momento pronto para nascer, e ele foi retirado do útero materno por uma cesariana.”