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‘70% das vítimas de feminicídios são negras porque elas estão dentro de um grupo que é mais vitimizado por várias outras violências’, diz pesquisadora Jackeline Romio
A especialista em gênero da Fundação Friedrich Ebert, Jackeline Ferreira Romio, apresentou sua pesquisa intitulada “Quem são as mulheres que o Brasil não protege?”, na Câmara dos Deputados durante a campanha “21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres”.
A pesquisa constatou que o recorte racial torna o cenário ainda mais grave: segundo o estudo, 68% das vítimas de feminicídio nessa década eram mulheres negras.
Ao conversar com o Poder Delas para falar sobre a pesquisa, Jackeline Romio disse que seu intuito em apresentar o levantamento na Câmara dos Deputados se deu para que haja uma sensibilidade por parte dos políticos e a sociedade como um todo para alertar sobre a gravidade do feminicídios e dizer que ele atinge de forma desproporcional as mulheres negras
“Pedimos que possamos ter política públicas específicas de proteção as mulheres negras e que os dados, que são disponibilizados pela segurança pública e pela saúde, que eles sejam desagregados e analisados na sua interseccionalidade de gênero, raça e classe”, afirmou a pesquisadora.
Jackeline Romio também lembrou que o momento serve para pedir que as instituições, como as delegacias, se sensibilizem para o impacto do racismo na sua interação com a desigualdade de gêneros no sentido de contribuir para o combate do feminicídio no Brasil.
“É que a proporção de mulheres negras vítimas de feminicídio não mudam com o tempo. Então, nós temos 65% a 68% de mulheres negras do começo ao fim do período em que nós analisamos”, diz.
A pesquisadora destaca que o feminicídio tem diminuído em alguns casos, mas não para as mulheres negras.
“É como se fosse o sintoma de um adoecimento social que são essas várias desigualdades que vão sucateando a vida das pessoas e vão agravando as condições de vida das mulheres, chegando ao nível em que uma mulher chega a morrer por conta da violência doméstica”, explica.
A pesquisadora ressalta também que não em todos os casos em que uma mulher morre em decorrência de violência doméstica, mas o agravamento disso, combinado com as várias desvantagens sociais de classe, de raça, geram um risco maior para as mulheres negras.
“70% das vítimas de feminicídios são negras porque elas estão dentro de um grupo que é mais vitimizado por várias outras violências que se relacionam e produzem a morte”, constata.


