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    A coordenadora-geral do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, Renata Boulos, disse, na manhã desta terça-feira (5), durante evento na Câmara dos Deputados que discutiu a respeito de assuntos relacionados à justiça social e sustentabilidade, que os desastres ambientais não impactam somente o meio ambiente, mas atinge também outros segmentos da sociedade.

    Segundo a coordenadora, é impossível falar em conservação e preservação ambiental sem falar no aumento da qualidade de vida da população. De acordo com ela, quando se previne uma possível catástrofe, ou apenas discute ações que possam resguardar pequenos espaço da fauna e flora do país, está também cuidando das pessoas, em especial daquelas que pertencem à parcela menos favorecida da sociedade.

    Renata Boulos falou com o Poder Delas e explicou que impossível falar em preservação das florestas, sem falar no espaço urbano. De acordo com a coordenadora, as desigualdades são transversais e atingem tanto às questões relacionadas à raça, ao gênero e ao território.

    “Está tudo integrado. Não tem como falar de acesso à terra sem falar racismo ambiental”, afirma Renata Boulos.

    A coordenadora observa que quando há algum desastre ambiental, as pessoas mais afetadas sempre são as pessoas mais vulneráveis, o que intensifica a natureza das catástrofes.

    “Os afetados pelas desigualdades sociais também são as pessoas negras, as mulheres, as pessoas periféricas. Esse debate não é só durante a COP 30, ele deve ocorrer antes, durante e depois”, diz.

    Para ela, é preciso trabalhar de maneira transversal, integrada à sociedade civil, ao Congresso, governo federal, às empresas privadas, e à sociedade de forma geral, para tentar reduzir as desigualdades no nosso país.

    Na opinião da coordenadora, as mulheres são também são as mais impactadas quando ocorrer alguma catástrofe, o que exige uma proteção maior sobre o público feminino por parte do poder público e da sociedade civil organizada.

    “As mulheres são as mais afetadas pelos desastres ambientais. Sejam as mulheres negras, sejam as mulheres periféricas, as mulheres quilombolas, as mulheres indígenas, as mulheres que chefiam a maioria das famílias nas periferias”, afirma Renata Boulos.