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    A Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional e a Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais discutiu, nesta terça-feira (4), o projeto de lei 150/2022 que cria a Política Nacional de Bioeconomia.

    O debate, que foi solicitado pelos deputados Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) e Dandara (PT-MG), teve como pano de fundo a valorização da sociobiodiversidade e os conhecimentos tradicionais.

    A audiência enfatizou que o Brasil, que é possui um território imenso, tem uma grande diversidade de espécies se comparado a outros países. Segundo os debatedores, mais de 20% de todas as espécies do planeta estão no Brasil. Apresenta cerca de 124.438 mil espécies da fauna e cerca de 44.914 mil espécies da flora conhecidas, além de 8.287 espécies de fungos.

    Uma das convidadas para debater na audiência pública foi a doutora e professora da Universidade de Brasília (UnB), Janaína Diniz, que em sua fala comentou a respeito da necessidade de se valorizar a bioeconomia e a sociobiodiversidade no país.  

    “A relação das comunidades tradicionais principalmente com produtos da sociobiodiversidade ela traz essa riqueza. E quando a gente foca em produtos únicos, em cadeia de um único produto, a gente perde essa cadeia da biodiversidade e perde inclusive, às vezes, até línguas, é o caso de línguas indígenas”, salientou a professora em entrevista ao Poder Delas.

    Segundo a professora, quando se perde uma espécie da biodiversidade, essas línguas vão se extinguindo, vai perdendo vocabulário das comunidades que com ela se relacionam.

    De acordo com Janaína Diniz, as mulheres têm um papel fundamental no desenvolvimento e na preservação de boas práticas da bioeconomia.

    “O papel das mulheres, a força das mulheres já que muitas trabalham com a sociobiodiversidade. São compostas por associações, cooperativas, coordenadas por mulheres”, diz.

    A professora lembra que o debate da bioeconomia ganhou força no país e já vem ganhando terreno em várias esferas da economia e da sociedade, já que, segundo ela, o país tem um potencial tecnológico e inovador que tratam dessas cadeias que já são consolidadas.  

    “A gente precisa ter um plano de transição energética, a gente pensa na bioeconomia, mas a gente precisa lembrar também que existe essa possibilidade de apropriação, nós precisamos fazer a transição, mas também precisamos incluir esses grupos de comunidades, cooperativas, associações menores, para não acontecer com o que aconteceu com a questão do biocombustíveis que não teve um envolvimento maior das comunidades de agricultores familiares e com isso foi apropriado pelos grandes empreendimentos”, ressalta a professora da UnB.