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    A presidenta da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (ANADEP), Fernanda Fernades, foi uma das convidadas da audiência pública, realizada nesta terça-feira (23), na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial, que buscou debater a exploração sexual infantojuvenil e o tráfico de pessoas no Brasil.

    A audiência, que foi solicitada pelo deputado federal Reimont (PT-RJ), teve como objetivo a construção de encaminhamentos concretos para o enfrentamento, proteção das vítimas e responsabilização dos agressores.

    “É urgente compreender como o Estado brasileiro tem enfrentado essas dinâmicas, quais são os principais gargalos na prevenção e repressão, e como fortalecer políticas públicas de proteção”, diz o deputado.

    Durante a audiência, ficou exposto que os crimes de exploração sexual e de tráfico de pessoas ocorrem em diferente dimensões, como o aliciamento para redes de exploração sexual, no tráfico interno e internacional de pessoas, na utilização das redes sociais e plataformas digitais como canais de cooptação, bem como na naturalização de práticas culturais que silenciam ou inviabilizam as vítimas.

    Em entrevista ao Poder Delas, a presidente da Anadep, Fernanda Fernandes, salientou que o cometimento desse tipo de crime se dá em razão de vários fatores, porém, a pobreza extrema que ainda atinge à sociedade é um dos principais pilares que contribuem para esse tipo de crime.

    “A pobreza extrema do nosso país que por vezes potencializa a exposição de crianças e adolescentes que já tem a situação familiar prejudicada pela sobrevivência”, afirma Fernanda.

    Ela lembra que trata-se de um crime grave e que a sua prática é um problema que o país precisa enfrentar de forma séria e sistemática.

    “A questão da educação, da conscientização sobre a existência desses crimes, as condições que são praticados, é uma questão de extrema importância para que a gente possa, acima de tudo, conscientizar as potencias vítimas”, ressalta a presidente da Anadep. “Precisamos falar de prevenção, de punição, mas também falar sobre a possibilidade de reintegrar as eventuais vítimas”, completa.

    Fernanda diz ainda que é as crianças e adolescentes que são vitimadas, são pessoas que trazem traumas muito profundos, e que a existência de uma equipe multidisciplinar, é fundamental para que haja a reintegração dessas vítimas à sociedade, com encaminhamento ao trabalho, proteção psicológica, e proteção física.