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    Hoje, quando um ex-presidente do Banco Central (BC) deixa seu mandato, ele precisa ficar fora de atividade apenas por seis meses. Depois desse período, ele pode voltar a trabalhar em cargos privados, como bancos e afins. Mas um projeto de lei complementar 144/25, de autoria do senador Cid Gomes (PSB-CE), que ampliar esse prazo para 4 anos.

    A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) usou a tribuna do Senado, na semana passada, para defender a proposta e disse que essa quarentena é o que de fato vai dar autonomia e soberania ao BC.

    “Hoje, um diretor do Banco Central deixa o cargo e, em apenas 6 meses, já pode assumir posto em um banco privado, levando com ele informações e contatos que acumulou durante o tempo de serviço no Estado. Isso é um escândalo. É a institucionalização do tráfico de influência”, critica Thronicke.

    O projeto de lei complementar encontra-se atualmente na Mesa Diretora do Senado esperando para ser pautado. Sua aprovação, diz a senadora Thronicke, está ligada diretamente ao futuro do país e à independência do BC.   

    “Essa autonomia [do BC] deve servir ao povo brasileiro, e não aos interesses escusos do grande capital financeiro. No momento em que se fala tanto em soberania, tanto em proteção, tanto em vulnerabilidade, nós precisamos dar um basta, e não permitir que uma pessoa possa sair do seu mandato do Banco Central, e, daqui a pouco, estar sentado como diretor-presidente de um grande banco”, explica.

    Ainda de acordo com senadora, não é possível que um ex-presidente do BC, que teve, por anos, acesso à informações privilegiadas possa, depois de deixar a instituição, ir para um banco e levar consigo essas informações que, segundo ela, passaria a ter “peso de ouro”.

    “Defendo com unhas e dentes a nova lei que estende essa quarentena por 4 anos. É mínimo que podemos fazer para proteger a nossa economia da ganância de poucos. Fortalecer os mecanismos de controle e responsabilização do Banco Central não é enfraquecê-lo, é torná-lo mais forte, mais resiliente e, acima de tudo, mais brasileiro”, afirma. “Quem for contra está defendendo, na verdade, o controle dos grandes bancos sobre o Banco Central”, completa.

    A senadora lembra também que o projeto permite a remoção do cargo de presidente do BC em casos de comprovação quando houver quebra de confiança. “O poder precisa vir com responsabilidade. O Brasil merece transparência, ética e respeito ao povo.”