Ouvir este artigo
    — palavras
    00:00 00:00

    A Câmara dos Deputados prestou uma homenagem, nesta sexta-feira (4), às populações que vivem no bioma Cerrado. Em sessão solene, solicitada pelo deputado federal Prof. Reginaldo Vera (PV-DF), a Casa debateu a situação de um dos biomas brasileiros que mais tem sofrido nos últimos anos com o desmatamento.

    “Visa não apenas celebrar a riqueza cultural e ambiental do Cerrado, mas também promover o diálogo entre gestores públicos, pesquisadores, estudantes, representantes da sociedade civil e os próprios povos tradicionais, fortalecendo a valorização de suas identidades e o reconhecimento de seus direitos”, justifica Veras ao solicitar a realização da solenidade.

    Entre os convidados para participar da sessão, estava Valdelice Veron Kaiowá, que é mestre em Sustentabilidade de Povos e Comunidades Tradicionais da Universidade de Brasília (UnB), que falou com o Poder Delas a respeito dos dilemas enfrentados principalmente pelas populações mais vulneráveis, como os povos indígenas, quilombolas e pequenos agricultores, para se manterem e preservarem em regiões de Cerrado.

    “Estamos aqui para trazer a Carta do Povo do Cerrado. Os povos indígenas, quilombolas, onde estamos lutando contra o genocídio, epistemicídio e ecocídio. Porque um está interligado com o outro”, diz Valdelice, que representa os povos Guarani-Kaiowá que habitam principalmente o estado de Mato Grosso do Sul.

    Os termos apresentados por Valdelice fazem referência à situação do Cerrado no país atualmente, onde em 2023, por exemplo, foi o bioma mais desmatado no Brasil (61% de área desmatada). Mesmo sendo o segundo maior bioma brasileiro, o Cerrado, ano após ano vem sofrendo com as agressões do homem. Houve uma queda desse desmatamento em 2024, mas os números ainda preocupam os ambientalistas e autoridades responsáveis pela sua preservação.

    “O povo mais vulnerável, mais atacado pelo agronegócio, o latifundiário, então, estou trazendo esse clamor das mulheres, das crianças do meu território”, alerta a líder indígena.

    Os Guarani-Kaiowá, que Valdelice representa, lutam há décadas pela demarcação de seus territórios tradicionais, conhecidos como tekohás, enfrentando conflitos com fazendeiros e empresários. 

    “A voz do povo que deve florescer, como florescem as árvores no Cerrado. Nós devemos estar sempre firmes e não deixar essa chama da democracia morrer”, afirma Valdelice.

    A sessão solene desta sexta foi realizada com esse propósito destacado por Valdelice, cujo objetivo é o de transformar saberes tradicionais e experiências em soluções inovadoras para a conservação do Cerrado, incentivando, assim, que políticas públicas promovam a proteção do bioma, o fortalecimento das comunidades locais e a valorização de suas culturas.