Subscribe to Updates
Get the latest creative news from FooBar about art, design and business.
Sâmia Bomfim comenta dados do Mapa da Segurança Pública que constatou aumento no número de feminicídio em 2024; ‘epidemia de feminicídio e de violência contra a mulher’
Os dados do Mapa da Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgados nesta quarta-feira (11), mostrou que no número de feminicídio aumento em 2024. Segundo o levantamento, cerca de 1.459 mulheres foram assassinadas no ano passado, o que representa 4 mortes por dia.
A região que apresentou maior índice foi o Centro-Oeste, onde foram registrados 1,87 casos de feminicídio a cada 100 mil habitantes – o número é maior do que a média nacional, que foi de 1,34.
Além disso, também foi constatado um aumento no número de casos de estupros que foi 83.114 casos, o maior número dos últimos cinco anos. Segundo os dados, foram 227 pessoas estupradas por dia, sendo 86% do sexo feminino. Já nas taxas por 100 mil habitantes, o maior índice foi registrado em Rondônia (87,73), seguido por Roraima (84,68) e Amapá (81,96).
Epidemia
A deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) comentou a divulgação dos dados do Mapa da Segurança Pública e disse que o país passa por uma “epidemia de feminicídio”, e de violência contra a mulher. A deputada, que falou com exclusividade ao Poder Delas, disse que há uma “naturalização” dessas práticas, uma vez que acredita-se que é possível matar por vingança e de que as mulheres são consideradas como uma posse dos homens.
“Há pouco tempo, inclusive, isso [feminicídio] era considerado um crime passional, a pouquíssimo tempo teve uma decisão do Supremo Tribunal Federal dizendo que não existe mais legitimas defesa da honra. Do ponto de vista legal é tudo muito recente. A lei do feminicídio, a lei Maria da Penha”, ressalta.
A deputada também defende que é preciso ir além da questão legal para que o número de casos de feminicídio seja reduzido. Segundo ela, para isso é preciso haver uma mudança de mentalidade.
“E para isso o poder público é importante, a imprensa é importante, as igrejas, ou seja, tem que ser uma coisa estrutural na sociedade senão não vai ter fim essa violência”, explica Bomfim.
A solução para a redução desses casos divulgados pelo Mapa da Segurança Pública, na prática, diz a deputada passa por iniciativa que envolvem tanto o poder público quanto a sociedade civil organizada.
“Deveria ter mais delegacia das Mulheres que funcionem 24 horas, porque a maioria só funciona no horário comercial e nas regiões centrais – é um problema enraizado e que ocorrem em diferente regiões – elas precisam se pulverizar; mais serviços de acolhimento às mulheres vítimas de violência – somente 10% dos municípios brasileiros contam com ele; mais celeridade nas medidas protetivas, porque muitas dessas mulheres não conseguem ter acesso à Justiça e não conseguem ser protegidas com medidas de segurança pública; e alteração cultural, que são mais de longo prazo, mas que precisam ser feitas, como debates desse tema nas escolas, na TV, nas igrejas isso tudo contribui para que a sociedade encare isso de uma forma diferente”, afirma a deputada.

