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    A coordenadora do Observatório Nacional da Mulher na Política (ONMP), Ana Cláudia Oliveira, participou, na manhã desta quarta-feira (10), na Câmara dos Deputados, da 5ª edição dos Encontros do ONMP, promovida em parceria com a Delegação da União Europeia no Brasil e o Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (Ipol/UnB). O encontro marca o retorno da série em um momento estratégico de preparação para o ciclo eleitoral de 2026.

    A coordenadora conduziu as apresentações, que contaram, inicialmente, com a exposição de resultados preliminares do projeto Fortalecendo a Participação Política das Mulheres e Combatendo a Violência de Gênero na Era Digital, implementado no âmbito dos Diálogos Setoriais União Europeia–Brasil.

    Em um segundo momento, ela coordenou a apresentação de pesquisadores do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, que divulgaram os resultados finais do projeto Mapeamento da Atuação Parlamentar das Deputadas Estaduais Brasileiras.

    Em entrevista ao Poder Delas, Ana Cláudia explicou sobre o evento, destacou os resultados apresentados e apontou suas consequências a partir de agora. A coordenadora do ONMP ressaltou que o encontro tem o propósito de construir melhores políticas públicas voltadas à ampliação da presença feminina na política.

    Foto: Mário Agra

    “E nada melhor do que dados, evidências científicas para construir essas políticas públicas. De modo que a gente consiga impulsionar esse debate dentro da Casa, mas também conscientizar a sociedade como um todo sobre esses temas”, afirmou Ana Cláudia.

    Ela também destacou que a importância da presença feminina na política envolve enfrentar as desigualdades de gênero para promover uma representação mais equilibrada entre homens e mulheres. Para isso, o ONMP iniciou, no começo deste ano, uma parceria com a Delegação da União Europeia no Brasil, com o objetivo de aperfeiçoar mecanismos de combate à violência de gênero na política.

    “Fizemos essa parceria justamente para encontrar estratégias de enfrentamento da violência política e da ampliação da representação feminina na política”, disse.

    Por fim, Ana Cláudia ressaltou que, ao se falar em violência política de gênero, não se trata apenas de violência física — embora esse tipo de agressão ocorra com frequência —, mas também de outras formas veladas de hostilidade contra mulheres no ambiente político.

    “Essa violência acontece principalmente de forma simbólica: o silenciamento das mulheres em espaços onde elas deveriam ter voz; a dificuldade de acesso a recursos para realizarem suas campanhas; a diminuição da capacidade dessas mulheres estarem ali — muitas vezes são colocadas como não aptas para a política, incapazes, ou cobradas por conhecimentos que não se exigem dos homens; agressividades nas redes sociais; a deslegitimação das mulheres de diversas formas; insultos à sua vida privada, sexual, familiar. São situações que, muitas vezes, não se aplicam aos homens”, explicou a coordenadora do ONMP.