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A procuradora federal da Advocacia-Geral da União (AGU), Manuellita Hermes, destacou a importância do protagonismo das mulheres — especialmente das mulheres negras — na construção de políticas públicas mais inclusivas durante participação em seminário sobre diversidade e inclusão que aconteceu nesta terça-feira (24) na Câmara dos Deputados.

Procuradora federal desde 2007 e doutora em Direito, Manuellita ressaltou que o próprio tema do evento evidencia a centralidade do debate sobre inclusão na atualidade. Segundo ela, o feminismo negro ocupa hoje uma posição de destaque nas discussões sobre igualdade e transformação social.

“Aqui nós temos o feminismo negro colocado em uma posição de muita vanguarda e muito protagonismo”, afirmou.

Para a procuradora, a diversidade precisa deixar de ser tratada apenas como um discurso simbólico e passar a ser efetivamente implementada nas instituições e nos espaços de poder.

“Nós temos que parar para pensar a diversidade não só como algo para se colocar como uma bandeira a ser agitada, como eu sempre brinco. É necessário implementar a diversidade, levar a sério a inclusão”, disse.

Ela também destacou a importância da participação ativa de mulheres negras na formulação e execução de políticas voltadas à promoção da igualdade.

“Isso perpassa ter mulheres negras discutindo, pensando, projetando e implementando a diversidade em todos os espaços do nosso país”, ressaltou.

Durante sua fala, Manuellita Hermes abordou ainda o princípio da solidariedade como elemento fundamental para o avanço das pautas de igualdade, lembrando que, historicamente, posições de poder foram majoritariamente ocupadas por homens em uma sociedade marcada pelo patriarcalismo.

“Eu sempre menciono o princípio da solidariedade. Nós temos a igualdade, a liberdade, mas, olhando historicamente, as posições são ocupadas por homens. Nós temos uma sociedade com patriarcalismo que nos atravessa”, afirmou.

A procuradora defendeu que o fortalecimento da participação feminina não deve ser visto como exclusão dos homens, mas como um processo de construção conjunta.

“Não queremos deixar de ter homens. Queremos somar, estar ao lado deles, ter a contribuição deles, para que compreendam a importância da mulher”, concluiu.