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Representante do Movimento dos Atingidos por Barragens de MG comenta as tragédias ambientais ocorridas no país nos últimos anos
A Comissão Externa sobre a Fiscalização dos Rompimentos de Barragens e Repactuação da Câmara dos Deputados realizou, nesta terça-feira (9), uma audiência pública com o tema: “Saúde pública na Bacia do Rio Doce – o que mudou em dez anos?”
A audiência, solicitada pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), buscou discutir os efeitos causados por dois dos maiores desastres ambientais de Minas Gerais: o rompimento da barragem de Mariana, em 2015, e o de Brumadinho, em 2019.
“Debater os impactos e desafios na saúde da população atingida pelos rompimentos das barragens nos territórios das bacias dos rios Doce e Paraopeba”, afirma o deputado em seu requerimento.
Entre os convidados esteve a representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em Minas Gerais, Olívia Congonhas, que conversou com o Poder Delas e explicou a importância do debate.
Segundo ela, o encontro é relevante porque busca compreender os dramas vividos pelas pessoas atingidas, que convivem com um dano continuado, agravado a cada dia.
“Cada vez mais pessoas recorrem a nós relatando problemas de saúde física e mental por conta da água contaminada, da falta de lazer, da falta de trabalho e renda, e da quebra do convívio familiar. Por isso, é importante saber como têm sido feitas as ações do poder público federal em relação à reparação da saúde a partir do SUS”, afirma Olívia.
Ela destaca ainda que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem desempenhado um papel vital na melhoria da qualidade de vida desses atingidos, por ser atuante e contar com participação popular na definição das prioridades para destinação de recursos destinados à reparação nos municípios — especialmente em Minas Gerais e no Espírito Santo.
“Há processos de reparação em andamento tanto na Bacia do Rio Doce quanto na do Paraopeba. Ainda é insuficiente diante dos danos causados pelos dois crimes, que são quase irreparáveis. Mas seguimos na luta para garantir a participação do povo, que deve indicar como os recursos devem ser aplicados”, ressalta.
Para a representante do MAB em Minas Gerais, é fundamental que os recursos cheguem efetivamente às comunidades atingidas, permitindo a implementação de projetos e ações voltadas à reparação da saúde da população e à redução dos danos causados.
Sobre as empresas apontadas como responsáveis pelas tragédias, Olívia Congonhas afirma que poucas ações judiciais avançaram no sentido de responsabilizar os envolvidos.
“As empresas ainda não foram criminalizadas. Isso é uma grande falha. Elas continuam atuando de forma criminosa. E nossa luta é por esse reconhecimento, para que não fiquem impunes por processos que mataram diversas pessoas, contaminaram nossos rios e o mar, e geram danos que continuam se ampliando e afetarão futuras gerações”, diz Olívia.
Entenda
O caso de Mariana ocorreu em 5 de novembro de 2015, quando houve o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco (controlada pela Vale e BHP Billiton). Na ocasião, 19 pessoas morreram.Uma enxurrada de rejeitos de minério destruiu o distrito de Bento Rodrigues e atingiu outros povoados. A lama percorreu mais de 600 km até o litoral do Espírito Santo, contaminando o Rio Doce e causando um dos maiores desastres ambientais do Brasil. Os danos ambientais e sociais são considerados quase irreparáveis, afetando água, fauna, flora e milhares de famílias.
Já o caso de Brumadinho, ocorreu em 25 de janeiro de 2019, em Brumadinho (MG). Neste caso, houve o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, da mineradora Vale. O caso foi ainda mais fatal: 270 pessoas morreram (a maioria trabalhadores da própria empresa). A onda de rejeitos destruiu instalações da Vale e comunidades próximas, atingindo o Rio Paraopeba. Até hoje há impactos severos na qualidade da água, na saúde da população e no meio ambiente

