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‘Não se pode discutir intolerância a essa religião se não discutir o racismo estrutural’, diz diretora do Ministério dos Direitos Humanos ao comentar sobre os crimes contra às religiões de matriz africana
A Câmara dos Deputados realizou na manhã desta terça-feira (18) audiência pública para debater sobre os casos de intolerância religiosa que reiteradamente ocorrem no país. Requerida pelo deputado federal Luiz Couto (PT-PB), a audiência buscou discutir ocorrências de episódios de intolerância e racismo religioso, em especial contra as religiões de matriz africana e outras tradições minoritárias, que sofrem ataques físicos, simbólicos e institucionais.
Segundo o deputado, além dos casos de violações de direitos cometidos contra os cultos religiosos, verificam também pressões confessionais indevidas sobre políticas públicas, afrontando a neutralidade estatal e os direitos fundamentais do conjunto da sociedade.
“Objetivo reunir especialistas, representantes de órgãos públicos, lideranças religiosas e entidades da sociedade civil para refletir sobre mecanismos de proteção à liberdade de crença, de combate à discriminação e intolerância, e de fortalecimento da laicidade do Estado, como condição indispensável para a promoção dos direitos humanos e da igualdade”, diz o deputado.
Entre os especialistas convidados para audiência, estava a diretora de defeso do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Priscila Carvalho, que falou com o Poder Delas e explicou que o debate foi oportuno, uma vez que preocupou em debater a intolerância religiosa e, sobretudo, a intolerância contra as religiões de matrizes africana e de diversas religiões, lembrando que o Estado laico.
“Buscamos discutir propostas que enfrentem e combatam a discriminação em todo país. A gente tem um grande número de denúncias em todo o Brasil ligadas sobretudo às religiões de matriz africana”, disse Priscila Carvalho.
A diretora também explicou que os abusos e violações que as pessoas que seguem religiões de matriz africana ocorrem em razão o preconceito que ainda impera na sociedade em torno do tema.
“Essa intolerância tem a ver com o desconhecimento e com o racismo estrutural. Não se pode discutir intolerância a essa religião se não discutir o racismo estrutural. Nós estamos hoje marcados por diversas violações de direitos humanos ligadas à intolerância religiosa em povos de terreiro, e isso é uma realidade frequente”, explica.
Priscila Carvalho lembra ainda que durante a audiência foram discutidos casos que comprovam e denunciam situações de desrespeito e até falta de conhecimento do que é a religião, e do que é o culto de seu sagrado.
“Em povos de terreiros, isso é uma realidade frequente. Nós discutimos casos hoje que comprovam situações de desrespeito”, salientou. “Nós estamos aqui para defender todas as formas de religião. A liberdade religiosa precisa estar posta como agenda política, agenda central de um governo democrático, e a gente não pode permitir que isso se perpetue, que isso avance”, completou a diretora.

