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‘Não foi para prender ninguém, não era para prender, tanto assim que já temos quase 200 corpos’, diz Benedita da Silva, ex-governadora do RJ
A deputada federal e ex-governadora do Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT-RJ), disse, em entrevista ao Poder Delas, nesta manhã de quarta-feira (29), que a operação ocorrida nas comunidades do Morro do Alemão e na Penha, nesta terça-feira (28), não foi para prender ninguém. Segundo ela, a ação foi mal planejada e por isso resultou num elevado número de mortos, que segundo dados oficiais, já chegam a 119 corpos.
“Primeiro, não foi para prender ninguém, não era para prender, tanto assim que já temos quase 200 corpos. Ninguém garante de forma nenhuma que isso não fez com que a comunidade ficasse assustada, que a comunidade tivesse medo”, disse Benedita.
Segundo a deputada, ao criticar a forma como a operação, que foi batizada de Operação Contenção, ela não está tentando justificar a criminalidade, mas, sim, chamar a atenção da população para como as forças de segurança têm agido no Rio de Janeiro com a alegação de estar combatendo o tráfico de drogas.
“Todos nós somos a favor de que haja prisão de bandidos, de que haja apreensão de drogas e de armas. Mas o que aconteceu no Rio não foi realmente uma ação dessa natureza. O comércio fechou, as escolas fecharam, as pessoas na rua não podiam andar porque foram fechadas ruas e mais ruas”, afirmou Benedita da Silva.
A deputada, que foi governadora do Rio de Janeiros, entre os anos de 2002 e 2003, disse que a operação de ontem foi “mal planejada” e que faltou inteligência para agir, uma vez que as incursões da policias ocorreram a céu aberto e em lugares onde vivem milhares de pessoas.
“Não teve um planejamento, não teve uma estratégia de ir para um campo aberto, a céu aberto e fazer uma operação dessa natureza. Faltou estratégia, faltou planejamento e faltou parceria”, destacou.
Em relação a parceria, que poderia ter sido feita com o governo federal, segundo a deputada, ela ressaltou que já foi destinado recursos para o combate ao crime organizado e à violência no Rio de Janeiro, mas que até o momento pouco se fez com relação a isso.
“Porque o governo federal já repassou para a segurança do Rio mais de R$ 70 milhões e eles não conseguiram gastar um terço. Poderia ter comprado carro blindado, mais proteção para a polícia e poderia inclusive colocar um expert para poder fazer com eles [governo do RJ] uma estratégia e um planejamento”, explicou.
Por fim, Benedita da Silva lamentou o ocorrido e ressaltou que agora as mães terão que conviver com a dor de perder um filho, uma vez que o crime não se combate com morte, mas sim com prisões e apreensões.
“Lamento profundamente que as mães estejam chorando, porque as mães esperavam outra coisa. Se meu filho está envolvido, prenda meu filho. Porque as pessoas que não estão envolvidas também querem segurança”, disse. “A polícia é para dar segurança. Mas dar segurança a quem? Dar segurança também às pessoas que moram nas comunidades, que, evidentemente, não têm segurança quando tem duas forças, uma atirando na outra, e povo que fica no meio é o mais prejudicados.”

