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A diretora e fundadora da Força Meninas, plataforma social de aprendizagem para meninas de 6 anos a 18 anos, Déborah Mari, esteve, nesta quarta-feira (3), na Comissão Comissões de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados para debater sobre temas relacionados à prática de crimes de deep nude.

O deep nude é quando uma pessoa cria “nudes falsos”, isto é, a pessoa faz montagens “tirando a roupa” da vítima em foto, vídeo, etc., através de sites e aplicativos destinados a este tipo de edição.

Para a diretora da Força Meninas conversou com o Poder Delas para falar sobre o assunto e destacou que esse tipo crime tem aumentado na sociedade brasileira. Segundo ela, levantamentos mostram que esse aumento atualmente é 64%, porém, tanto a sociedade quanto o poder público não sabem ao certo o tamanho do problema que esse tipo de crime acarreta às vítimas e suas famílias.

“Além disso, temos um recorte imenso de jovens que conversam e falam sobre a questão de conhecer pessoas que já sofreram bullying digital”, lembra Déborah Mari.

A diretora diz ainda que essa prática criminosa já ocorre em todos os estados do país. Atualmente, estima-se que há cerca de 111 vítimas atualmente de deep nude. E a situação fica ainda mais difícil, explica Deborah Mari, porque há uma dificuldade em notificar esses casos, uma vez que não existe um protocolo e uma lei que estabeleça um modo de como proceder para realizar essas notificações.

“A gente acredita que só a postura punitiva não é suficiente para resolver o problema. A gente acredita que o menino que comete esse crime, ele também, de alguma forma, é influenciado dentro da rede social e dentro da sociedade a permanecer praticando esse crime”, afirma a diretora da Força Meninas.

Déborah Mari também comenta que o autor da prática de deep nude enxerga essa ação como pouco dolosa, mas ela ressalta que isso “uma mentira, porque isso é um crime extremamente doloso”.

A diretora ressalta ainda que geralmente as meninas já vivem durante toda vida com o trauma da exposição de seu corpo, e que, mesmo sabendo que no caso do deep nude a imagem de seu corpo foi modificada, depois do crime, sua credibilidade fica comprometida e ela passa a creditar que ela cometeu algo errado.

“A questão do deep nud, mais de uma questão que só olha para o uso de nova tecnologia, é uma questão profunda, porque ela impacta a vida social, emocional, e o futuro dessa menina, e não só o presente dela. Então a gente precisa olhar para esse problema urgente”, explica Déborah Mari.

A solução, segundo ela, passa pelo avanço das leis que tratem da regulação da inteligência artificial, porque o adolescente não é só agressor, mas também é uma vítima.

Como denunciar e como prevenir?

Um dos caminhos, segundo a diretora da Força Meninas, para trabalhar a prevenção sobre esse problema, passa pelas escolas, além da elaboração de leis educacionais que tratem do tema.

Ela diz ainda que outro caminho é evitar publicar fotos e imagens em redes sociais, mas, como ela ressalta, isso hoje em dia é praticamente impossível, por isso, há duas soluções mais cabíveis: 1) educação e conversa com os jovens em casa e nas escolas; 2) criação de leis que regulamente a inteligência artificial e puna os possíveis culpados.

Já para denunciar esse tipo de crime, Déborah Mari orienta que os caminhos, primeiro, é fazer uma denúncia nas delegacias de crime cibernético, e, depois, procurar os conselhos tutelares.